Fechamento do cinema causa tristeza e indignação nos frequentadores
Mari Azoli
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Imagem: Mari Azoli |
Batucadas, buzinadas, abaixo-assinados; foram várias as manifestações a favor da permanência do Belas Artes, tradicional espaço que integrava a história da grande metrópole, localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação.
A luta dos frequentadores do cinema não foi suficiente para evitar que uma das poucas salas com programação alternativa da cidade fechasse suas portas. Hoje, naquele que já foi um ponto de encontro cultural restaram apenas cartazes e faixas de protesto, além de inúmeras histórias.
Histórias como a do estudante Fábio Barbosa, que assistiu ali a praticamente todos os filmes de Pedro Almodóvar, cineasta e ator espanhol, e disse não se esquecer da sessão do longa metragem argentino O segredo dos seus olhos, dirigido por Juan José Campanella, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009.
“Alguma coisa acontece no meu coração, quando cruzo a Paulista com a Consolação. Este espaço era mágico, impregnado de energia humana, onde tantas vezes suspirei por mais de um motivo”, Barbosa relata, emocionado, seus sentimentos sobre o local.
Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura da USP, explica em artigo publicado na revista Carta Capital de janeiro de 2011 que a desertificação das ruas, nas cidades contemporâneas, é um dos sintomas mais graves da decadência da civilização urbana. A morte dos cinemas de rua é um dos resultados mais preocupantes desse processo.
Celso Reis, analista de sistemas, compartilha da opinião de Bonduki. “Eu não sei definir que tipo de mundo nós estamos produzindo, mas com certeza abrir mão de um cinema como o Belas Artes não me parece um sinal de evolução”, afirma.
“A nova urbanização individualiza cada vez mais o cidadão paulistano”, explica Roberval Laes Alves Bandeira, estudante do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Ele acredita que o abandono das ruas em decorrência do encerramento das atividades dos cinemas gera maior perigo e violência à população.
