quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aumento da passagem de metrô em SP supera inflação e causa protestos

por Thaís Antiquera
Imagem: Katia Kreutz
Em janeiro deste ano, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo subiu o preço das passagens do metrô. O aumento de 9,43% é superior à inflação acumulada no ano passado, que ficou em 6,20%.

Como as tarifas dos transportes públicos estão ligadas, quando há reajustes no ônibus, os valores do metrô e da CPTM tendem a ser modificados também, para manter o sistema equilibrado.

O valor das taxas da Companhia do Metropolitano passou de R$ 2,65 para R$ 2,90.A Secretaria defende que o aumento se deve à necessidade de manter a estabilidade econômica financeira do metrô. O cálculo levou em conta a evolução dos custos nos últimos 12 meses, incluindo componentes como material rodante e mão de obra.

Breno Borges, executivo comercial e usuário de transporte público, afirma que, com o aumento, é possível elevar a margem de faturamento que possibilita a criação de mais linhas. Assim, a oferta do serviço para a população também melhora. “Se for para ter mais conforto de deslocamento, é uma consequência benéfica disso”, justifica.

Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o preço da tarifa subiu desde 1996 em 263%, levando em conta o último reajuste medido pelo IPC. Com o salário mínimo de R$ 560, considerando-se que um usuário de metrô utiliza o transporte no mínimo duas vezes ao dia, cerca de 22 dias no mês, ele gastaria 21% de seu salário, ou seja, R$ 127,60.

O publicitário Dárcio Lemos acredita que o novo preço cobrado é abusivo, já que a passagem aumentou mais do que o salário mínimo. “Se fosse apenas proporcional ao ajuste da inflação do ano passado, o aumento deveria ter sido de 5,91%”.

“Esses ajustes deveriam provir do tesouro nacional. Os impostos que a população paga teriam de ser suficientes”, diz a estudante Nicoli Verilo. Após o pronunciamento do aumento da tarifa, muitas manifestações vêm ocorrendo na cidade. Devido a esses protestos, foi realizada uma audiência na Câmera Municipal de São Paulo, porém até o momento nenhuma mudança resultou disso.

Veja abaixo os novos valores das tarifas: