quarta-feira, 6 de abril de 2011

Encontrados sítios arqueológicos nas obras da Linha Amarela do metrô

por Mari Azoli
Imagem: Gongo
Uma expressiva quantidade de vestígios arqueológicos foi resgatada ao longo de toda a escavação da Linha 4 – Amarela, incluindo: fragmentos de utensílios de uso domésticos em cerâmica, vidros, ossos de suínos e bovinos, além de conchas de moluscos, restos de alimentação, objetos em metal, plástico, borracha e de material construtivo.

A partir desse material foram recuperados testemunhos arqueológicos do século XIX ao início do século XX, segundo Erika González, arqueóloga e historiadora responsável pelas prospecções e resgate arqueológico da Linha Amarela.

Além desse sítio arqueológico encontrado nas obras do metrô, em dezembro do ano passado foi achado outro, do século XIX, entre o trecho das Ruas Fernão Dias e Teodoro Sampaio, próximo à estação Faria Lima, durante as obras de revitalização do Largo da Batata, coordenadas pela equipe do arqueólogo Plácido Cali.

Trinta mil peças foram resgatadas nesse sítio, entre elas louças, cerâmicas, garrafas de vinho e uísque importados e cerveja holandesa do século XIX. Ainda permanece no local uma parte significativa dos vestígios daquilo que possivelmente teria sido uma taberna. Atualmente, o sítio está cercado por tapumes.

Segundo o arqueólogo, existe um projeto já aprovado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de se fazer uma exposição permanente no local, que será coberto por placas de vidros laminados, com paineis explicativos. “A proposta é atingir o público que normalmente não vai a museus e fazer com que essas pessoas se sintam como parte da história”, explica Cali.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAM) define a obrigatoriedade de ser desenvolvido estudo arqueológico em todas as obras que necessitam de licenciamento ambiental, de forma a avaliar se o empreendimento vai causar algum impacto ou dano ao patrimônio arqueológico.

Cali acredita que os sítios arqueológicos são parte do patrimônio cultural da sociedade. “A partir deles, podemos conhecer mais sobre nossa história. A cultura material permite ter acesso a testemunhos não presentes em qualquer outro documento, evidenciando o cotidiano vivenciado por grupos”, conclui o arqueólogo.